sábado, março 10, 2012

Entrei em depressão profunda - não no sentido irônico do meu amigo - por ver dissecado, por uma autoridade, o que é o Brasil...

Depressão profunda


Tenho um amigo que é corintiano roxo. Todas às vezes que o seu time vence, imediatamente recebo dele um email com os seguintes dizeres: “depressão profunda.”
Vou ao texto da matéria e encontro apenas anotado o resultado do jogo.
Depressão profunda, nesse caso, quer dizer: alegria, contentamento, satisfação, felicidade e, lógico, uma forte ironia.
A ironia é uma forma de comunicação, geralmente instrumento de gente inteligente. Não é ofensiva, somente irritante para quem a ironia é dirigida.
O remédio para enfrentar essas situações com alto astral é não se esquecer que o bom cabrito não berra.
Acabei de ler a entrevista do novo presidente do tribunal de Justiça de São Paulo na revista Veja.
Entrei em depressão profunda - não no sentido irônico do meu amigo - por ver dissecado, por uma autoridade, o que é o Brasil.
A matéria deixa transparecer a sua idolatria pelos felizardos brasileiros de primeira classe, minoria neste país. Vivemos em uma nação produtora de milionários felizardos, muitos por causas desconhecidas.
Enquanto isso, o trabalhador brasileiro - que sustenta com o seu esforço as castas do poder e ainda dá um duro tremendo para sobreviver:
- sai de casa de madrugada para trabalhar,
- enfrenta uma viagem de trem feito sardinha, bate ponto, descansa após o almoço em horário determinado pelo ministério do Trabalho no chão da obra,
- tem direito apenas a um período de férias por ano, cujo salário é determinado pelo governo federal, e aprovado pelo submisso Congresso Nacional.
Então, quando eu leio a dita entrevista, aí, nesse momento vem a depressão profunda, verdadeira e revoltante.
É declarado na entrevista o salário cheio de algumas categorias funcionais, sendo todas legais; adiantamento de vencimentos para compra de apartamentos, auxílios de fazer inveja às entidades filantrópicas, e duas férias anuais, sendo uma sempre vendida, por necessidade de serviço.
Longe de eu pensar que o novo presidente do Tribunal de Justiça não tem razão ou está na ilegalidade.
Conceitos emitidos na matéria é que não acho justo, para com a maioria dos brasileiros responsáveis por todos esses pagamentos.
O juiz não pode fumar maconha, disse o presidente do tribunal. Correto. O médico pode fumar?
Comparado o salário total de um magistrado de São Paulo, é pouco comparado com os salários da iniciativa privada, justifica o presidente do Tribunal.
Correto.
Na empresa privada, trabalha-se muito, há necessidade de qualificação e resultados. Do contrário, o executivo, mesmo com currículo fantástico, é demitido ou a empresa vai à falência.
No serviço público, tanto fez quanto tanto faz. No final do mês o holerite chega no dia combinado.
Viver em um país com tantas desigualdades sociais, onde a maioria dos Estados e Municípios está quebrada financeiramente; com salário de um professor do ensino fundamental em alguns Estados, corresponder à metade do salário mínimo; servidores públicos menos útil ao Brasil com salários oficiais de 600 mil reais - dá uma depressão profunda.

Gabriel Novis Neves

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